Trabalho da base do Mogi Mirim é reconhecido pela imprensa paulistana

Quando o pentacampeão mundial Rivaldo assumiu o controle do Mogi Mirim recebeu o clube sem elenco, tanto no profissional quanto na base, que estava desativada. A primeira determinação dele foi inscrever o clube na Taça São Paulo de 2009. Mas como o tempo era curto demais, a equipe foi montada às pressas e não passou da segunda fase

O reinício da base do Mogi Mirim começou em 2010 com o clube disputando os campeonatos da Associação Paulista de Futebol, tendo ficado em quarto lugar no sub17 e campeão invicto na categoria sub15.

Na Taça São Paulo a equipe brigou por vaga, mas não obteve êxito. Mas no Campeonato Paulista, que voltou a disputar depois de vários anos ausente, o Mogi Mirim conseguiu vaga para a segunda fase no Sub17 e chegou à terceira fase no Sub15.

Mais estruturado, o Sub17 chegou à terceira fase nesta temporada e o Sub15 foi até às oitavas-de-final, sendo desclassificado pelo São Paulo. Na Taça São Paulo,a  equipe mogimiriana, pela primeira vez em sua história avançou até a segunda fase da competição. Mas a grande estrela foi o Sub20 que com uma campanha impecável, disputou o título com o São Paulo, chegando a ficam 20 partidas sem perder.

O trabalho feito na base do Mogi Mirim foi motivo de elogios de alguns órgãos de imprensa da Capital. O jornalista Leandro Stein, articulista do site www.olheiros.net escreveu um artigo publicado no dia 24 de novembro com o título “Herdeiros do Carrossel”, onde demonstra profundo respeito e conhecimento do que acontece na base do Mogi Mirim Esporte Clube. Veja o artigo na íntegra:

Herdeiros do Carrossel

Não foi a derrota no primeiro jogo da decisão do Campeonato Paulista Sub-20 que manchou o retrospecto do Mogi Mirim na competição. Afinal, o Sapo passou nada menos que 21 partidas da competição sem saber o que era derrota. Campanha irretocável que, não por acaso, deu ao clube do interior a vantagem de disputar a partida de volta da final em casa e que chegou ao seu auge nas semifinais, quando a vítima da vez foi o Santos.

Resultados que apenas demonstram o bom papel desempenhado pelas categorias de base do Mogi Mirim desde o início de 2011. A eliminação para o Atlético Paranaense na primeira fase de mata-matas fez com que o desempenho significativo na fase de grupos fosse esquecido. Para quem não se lembra, a equipe foi líder no Grupo K, que contava com ninguém menos que o campeão Flamengo. Além de um empate de igual para igual com os cariocas, os alvirrubros foram capazes de uma vitória heróica conta o anfitrião da chave, o São José, mesmo terminando a partida com nove jogadores em campo. Isso sem contar a goleada por 8 a 0 sobre o Gurupi, a maior da última edição da Copinha.

Daquele time, já era possível apontar alguns destaques principais. Dono de vigor físico e bom posicionamento, Jairo variou funções como zagueiro e volante, sendo acompanhado na proteção à defesa pelo camisa 5, Romário. Se alternando com Gui, Mates Caramelo foi responsável por uma das principais armas do Mogi na competição, os avanços pelo lado direito. Já no gol, quem segurava as pontas era Mateus.

Meses depois, o quarteto perseverou no elenco de juniores que disputa o estadual, todos titulares absolutos. Jairo se estabilizou com zagueiro, enquanto Caramelo assumiu de vez a lateral direita, com Mateus e Romário permanecendo no gol e no meio-campo, respectivamente. Além deles, outro que foi pinçado pelo técnico Alexandre Faganello foi o atacante Thiago, artilheiro da equipe na Copa SP, mas que segue na reserva.

A química desses jogadores com o restante do grupo no Paulista Sub-20 originou um time cujo destaque é o valor coletivo. Armada no tradicional 4-4-2, a equipe começa fundamentada por uma defesa muito forte. Em 21 encontros disputados até o momento, a equipe sofreu apenas 15 gols. Foram oito partidas nas quais a meta do time passou invicta. Além disso, a única vez que o Sapo sofreu mais de um gol no mesmo jogo aconteceu justamente na decisão, 3 a 1 para o São Paulo. Jairo, dono da braçadeira de capitão, é quem lidera o setor.

O setor ofensivo, por sua vez, não possui números tão impressionantes assim, com 39 gols em 21 jogos, mas demonstrou eficiência suficiente para levar o clube até a final. A construção das jogadas começa já com o segundo volante, Marcos Paulo. Mais à frente, o destaque fica com Roni, atleta vindo do Rio Claro. O meia é o vice-artilheiro do time, com 5 gols, abusando da velocidade e das jogadas pelo lado do campo. Na mesma faixa de campo, o camisa 10 é Marco Antônio, responsável pela organização do time.

Por fim, três jogadores se revezaram no ataque ao longo da competição. Com características mais similares, apoiando e buscando o jogo fora da área, Everton Sena e Lucas Souza deram opções de parceiros para o centroavante Jorge Elias, típico camisa 9 de potencial físico e oportunismo. Everton e Jorge, inclusive, dividiram entre si a artilharia do Mogi, com oito tentos cada.

E o sucesso do time sub-20 não vem apenas trazer opções para o elenco profissional para a disputa do Paulistão 2012 – e, em alguns casos, como dos /93 Mateus e Jeferson e do /94 Caramelo, também para a Copa São Paulo. O desempenho do alvirrubro entre os juniores é o ápice de um ano primoroso da base nos campeonatos estaduais.

O sub-17, do artilheiro Piva, chegou até a terceira fase da competição, eliminado em um grupo que ainda contava com Desportivo Brasil e Corinthians. Já no sub-15, o time se segurou até as quartas de final, coincidentemente eliminado pelo São Paulo, depois de uma campanha sólida nas etapas anteriores da competição.

Após o segundo jogo da decisão do Paulista, resta aguardar como será a promoção de jogadores realizada pelo Mogi Mirim na próxima temporada. A qualidade dos jogadores, pela campanha feita até aqui e independente do resultado que será obtido na final, parece comprovada. Em um clube cujo mandatário é Rivaldo, revelado para o país pelo alvirrubro, não se surpreende a valorização da base. Dezoito anos depois, o Carrossel Caipira ganha os seus herdeiros, ainda que utilizando um estilo de jogo distinto.

Leandro Stein – 24/11/2011

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